A contadora de histórias

Estilista traz peças feitas à mão explorando o significado da palavra acolhimento em todos os sentidos.

Luciana Andrade vive um tempo de lembranças, de presentes entrelaçados como essência em suas peças. Desde pequena, acompanhava com os olhos curiosos o trabalho da avó costureira, ouvia atenta as histórias de outrora, momentos que resgata hoje como força de afeto nas suas criações. No feito à mão agrega o alto valor da produção humana. Tem sido esse o seu caminho profissional e pessoal, mesmo em reverso contexto da grande escala industrial.

Ela anda na contramão do mercado frenético, sabendo que o passo a passo é o processo mais valioso e amadurece em outro tempo. Aceita, acolhe! É interessada nas histórias e nas pessoas, olho no olho, sensibilidade estimulada pela mãe dona Wilma Andrade, da qual cultiva admiração profunda e ensinamentos que absorveu como seus para a vida.

“Busquei técnicas da moda e referências de infância trazidas por uma avó costureira e uma mãe assistente social que amava o feito à mão. Com minha mãe compartilhei os melhores ensinamentos e foram nos corredores da antiga Febem, em Porto Alegre (RS), onde ela trabalhava que conheci as oficinas de reciclagem de papel, brinquedo e madeira. Era um mundo encantado, tudo se transformava e eu amava!”, conta a estilista, que trocou há quatro anos São Paulo por Florianópolis.

Na época ela estava determinada a criar seu Atelier Luciana Andrade e carregar sua experiência na área da moda para a decoração. Foi o que fez abrindo sua Casa/Ateliê na Barra da Lagoa e explorando o significado da palavra acolhimento em todos os sentidos. Por lá suas almofadas e mantas são inseridas numa atmosfera de muito aconchego, enquanto o pão assa no fogão, o café é passado e os cães brincam livremente no jardim.

Aldeia de mulheres

Para confeccionar seus produtos exclusivos, a criativa conta com uma rede de mulheres tecelãs, tricoteiras, bordadeiras, crocheteiras da cidade, que são acionadas em cada projeto. E confessa que este é um dos maiores objetivos da empreitada.  “Queremos contar a história do feito à mão, mostrar a qualidade do trabalho realizado na Ilha de Florianópolis. Futuramente levar esse conhecimento para dentro de instituições como a antiga Febem e a penitenciária feminina. Mostrar que com o feito à mão pode-se ter um trabalho autônomo e acreditar em um futuro”, destaca a empreendedora que acaba de conquistar espaço na loja Vitrine 21, de Florianópolis, com seus feitos de puro amor.

CRÉDITO: Alessandro Bulgarini

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