Coletivo de arquitetos dá vida à casa tombada

Do lado de Cá

Há exatamente 100 anos, esta casa localizada na esquina da Alves de Brito com a Luiz Delfino, pertencia a uma família. Eram outros tempos em Florianópolis, a região mais calma, sem o corre-corre do dia a dia cheio de compromissos, pouco comércio ao redor e muitas residências. Os vizinhos que ainda ali vivem recordam que, naquela época, abriam suas janelas para ouvir a música que vinha da casa, quando os moradores se reuniam com amigos para tocar piano noite adentro. Boas memórias.

Depois de acomodar um negócio e outro, mais um tanto de anos absolutamente fechada, a casa hoje é um local de conexões, encontros e projetos. Tudo começou com o interesse do arquiteto Abreu Junior e dos sócios Tiago Rodrigues e Carlos Lopes, trio à frente do Delfino 146, bar e café instalado dentro do prédio vizinho. Para eles era impossível olhar diariamente para o local e não lamentar a falta de uso.

“Decidimos então convidar escritórios de arquitetura para ativar o imóvel com uma nova proposta de utilidade sem interferir na sua arquitetura original. É um projeto assinado coletivamente que pensa o bairro, a rua, a esquina. Partimos do conceito de acupuntura urbana e avaliamos quais os negócios em sintonia com a região. Aberta há menos de um ano, a casa é considerada um hub de ideias, iniciativas e também acolhe uma programação musical interessante no seu porão, igual aos velhos tempos”, conta Abreu.

Assim começou a movimentação para reformar o imóvel, reuniões para debater a funcionalidade dos espaços e definir os tipos de atividades viáveis para o local. Foi um processo longo e rico que contou com a participação dos escritórios Jobim Carlevaro, Marcelo Salum, Juliana Pippi, Blasi Bahia Arquitetura, Arlon Fernandes, Pimont Arquitetura, Marchetti Bonetti, Metroquadrado, Carlos Lopes, Atlas, JA8, Allume e do designer Jader Almeida, que assina a área do coworking. O endereço também abriga a sede da Asbea/SC e tem até uma charmosa hospedagem no sótão.

“Apelidamos o projeto de CASACANTO e posso dizer que a encaramos como um estímulo para que outras esquinas ociosas possam ser conectadas com novas ideias e atividades. Pelo fato de ser uma casa tombada, também reforçamos a preservação do nosso patrimônio arquitetônico, porém revitalizado para o tempo que vivemos e cumprindo função na dinâmica da cidade”, estimula Abreu. A programação é intensa no porão da CASACANTO, com curadoria de Tiago Rodrigues, o espaço tem movimentado bastante a cena musical catarinense.

CRÉDITO: Fernando Willadino

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