Lá em casa

Marcelo Sommer ultrapassa as fronteiras da criação e traz o conhecimento fashion para o mundo da decoração.

O estilista Marcelo Sommer é figura carimbada no universo da moda e o talento é reconhecido mundialmente. A trajetória profissional começou em 1995, quando criou a marca SOMMER no Mercado Mundo Mix, mas o primeiro contato com a moda surgiu aos 16 anos, em 1983, quando era o office boy de uma joalheria. De lá para cá muito coisa mudou e a trajetória de Marcelo é um capítulo a parte no cenário fashion brasileiro. Uma recapitulação rápida pela história do estilista nos leva para um verdadeiro passeio pelas principais marcas do país. Marcelo já teve três marcas próprias, a Sommer atualmente está na AMC Têxtil, Do Estilista e Oliveira Wear também estão no currículo do estilista. Ale´m disso, Sommer passou pela TNGCavaleraAfroreggaeGhetzChilli Beans, assinou o styling da Sumemo e fez coleção para o ExtraRiachueloC&A e Tok&Stok. A parceria com a marca de móveis e acessórios para casa possibilitou ao Marcelo trazer o universo lúdico em coleções especiais. Uma maneira de inserir mais design e muita criatividade nas peças assinadas para decoração. A jornalista da Destaque Decor conversou com o estilista na sua recente passagem por Balneário Camboriú e durante o bate papo leve e informal Marcelo revelou a essência do processo de criação, contou detalhes da decoração de casa e da rotina. 

Como é o universo criativo de Marcelo Sommer?

O universo criativo está no meu DNA. Quando me contratam para algum trabalho ou estou fazendo algum tipo de desenvolvimento é sempre para o lado intuitivo, criativo, pesquisa e história. Eu sou bem pouco operacional e logístico. Planilha de excel não é comigo. Meu pai era joalheiro, meu irmão trabalha com estética e arte e também já trabalhou com moda e acho que essas referências criativas vem da família. 

Atuando profissionalmente no mercado de moda desde os 18 anos, quando você percebeu que era o momento de transitar em novas esferas criativas? 

Eu acredito que a partir do momento em que começou a transcender o limite da roupa. Um tecido de cortina, um imã de geladeira e um objeto de souvenir de algum país distante e até de uma cidade do interior do Brasil sempre me inspira para fazer roupa. Quando eu percebi que poderia licenciar o meu nome para produtos decorativos e uma linha de óculos eu notei que era o mesmo processo criativo, só que ao contrário. Do mesmo jeito que eu pegava um bordado de um pano de prato para transferir para uma roupa eu comecei a fazer o caminho inverso e também aplicar em caneca, prato e até móveis. Então, acho que anda tudo paralelo. 

Como surge o termo Desing Thinking no meio desse turbilhão de ideias e conceitos? 

Pensar o design também surgiu no meu passado. O meu pai joalheiro e a minha mãe sempre com cuidado estético muito apurado influenciaram nas minhas ideias. A minha mãe sempre teve essa coisa de combinação de cor, marrom combina om bege, cinza combina com verde. Desde pequenino ela super caprichava nas roupas que colocava nos três filhos e por isso o design e estética sempre estiveram na minha criação

O teu trabalho traduz muito de memória afetiva, infância. Até o azulejo da casa da vovó é inspirador para você. Aliás, você tem uma espécie de caixa preta onde guarda todo tipo de referência. Em que momento a gente pode identificar esses elementos nas tuas criações? 

Eu sempre recorri à caixa preta, um baú de memórias. Ali eu guardo rótulo de caixa de fósforo antiga, garrafa, maço de cigarro, pedaço de tecido, papel de presente e souvenir. È um arquivo de imagens que eu usei muitas vezes. Eu já cheguei a fazer estampa inteira a partir dessa caixa. É a memória afetiva que está muito ligada ao meu trabalho. A cor do uniforme escolar, aquele azul clarinho da camiseta e s tons de infância e o azulejo da casa da avó está inserido no meu trabalho. E isso mexe com as pessoas, mas não sei te explicar exatamente como isso acontece. 

A parceria com a Tok&Stok reforça um elo entre a expertise fashion e o mundo da decoração. Como isso acontece e como é criar para decoração? 

As duas primeiras coleções que eu fiz para Tok&Stok, lançadas em 2015, e que estão até hoje na loja era a Folksy e a Nórdica. Na Folksy  tem esse universo da flor bordada do pano de prato, do azulejo da casa da avó, um pouco de Rússia, Polônia e Portugal, aquela galos portugueses e azuis que a gente sempre vê na casa de alguém que viajou e trouxe junto. Por isso, eu acho que o segredo da parceria com a Tok&Stok é esse ponto da memória afetiva da nostalgia aliada ao design. 

As criações para as coleções da Tok&Stok têm tudo a ver com teu universo. Quais os elementos da tua experiência na moda e das viagens que aparecem nas peças? 

As viagens dentro e fora do Brasil me inspiram muito. Eu tenho um vasinho de parede em forma de coração que eu fiz para Tok&Stok que me remete à Hungria. Essa peça é usada na entrada das casas. Um vasinho que os moradores colocam como símbolo da boa sorte. Eu me inspirei num vaso que comprei num antiquário em Budapeste e é o best seller da coleção até hoje. A gente já lançou cinco modelos e as pessoas continuam amando essa peça. 

Na tua rotina você é muito ligado ao design de interiores? Você costuma zipar ideias para tua casa? 

Eu estou numa fase mais minimalista. Eu já tive coleção de dados, brinquedo de lata, relógio, óculos, camiseta, moletom. Coleção, mesmo.  Peça que nem serve em mim, mas eu compro porque acho bonito e é uma referência que vai me servir um dia. Isso acabou virando um volume. Hoje em dia eu vivo com menos. Isso não quer dizer que não olho e compro, mas eu estou num momento de repensar esse volume de coisa. Eu fiz uma curadoria, limpei a casa e só fiquei com a coleção de alce. 

Como é a decoração da casa do Marcelo Sommer? 

È uma casa que eu demorei três anos para construir, num pavimento térreo e numa rua que já mora há 30 anos. Eu fiz uma reforma com o arquiteto Rafic Farah que também é designer da moda e fez a logotipo da Zoomp. Ele é um super designer gráfico que virou arquiteto e fez todo projeto da minha casa em madeira, vidro e pedra. Parece uma cabana e tem cara de casa da montanha. Os objetos e o universo pessoal é que decoram a casa. Parece que está tudo lá desde os anos 1950, apesar de ser uma construção nova é vintage. 

 

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