Projeto Sertões

Meu primeiro contato com este universo da arte popular foi quando ainda era editor na extinta revista Casa Claudia. Sempre me interessei pelo artesanato brasileiro, mas não tinha consciência e nem conhecimento sobre esse tipo de arte do nosso país, não fazia distinção e generalizava como sendo tudo artesanato.

 

Por Aldi Flosi 

Zizi Carderari, uma amiga, pesquisadora e minha companheira de trabalho na redação foi quem me apresentou algumas obras e artistas, depois disso desenvolvemos algumas matérias juntos sobre este assunto e posteriormente uma coleção de roupa de cama, mesa e banho em cinco comunidades do Nordeste, uma delas na Ilha do Ferro, em Alagoas, que foi apresentada em São Paulo no museu ACASA.

Minha visão mudou a partir deste momento, comecei a pesquisar sobre o tema, fui novamente a essas comunidades, ateliês, voltei a estudar a obra e as referências deixadas por Janete Costa, cujo trabalho havia conhecido na faculdade, conheci designers que tinham como fonte estes artistas, o regionalismo e a brasilidade, como o Rodrigo Ambrosio e Sérgio Matos,  que se abastecem dessas referências, de materiais brasileiros e técnicas ancestrais para também criarem peças autorais, contemporâneas e carregadas de amor e emoção, além de começar a minha própria coleção e entender profundamente as histórias e as memórias impressas por esses artistas em cada uma de suas obras e o que elas representavam nesse cotidiano.

Talvez esse momento tenha sido o mais importante e emocionante na minha carreira e nas minhas pesquisas, que continuam até hoje, vivo atras dos artistas, acompanho suas exposições e a evolução dos trabalhos, vou as galerias especializadas e a Fenearte, a maior e mais importante feira de arte e artesanato brasileiro atual.

Cada obra carrega a história dessas lugares ou a vida dessas pessoas, destes artistas, isso me emociona demais e me faz refletir sobre o quanto é importante orientarmos as pessoas e abrirmos os olhos para essa arte, no sentido literal do que se produz aqui e que não é feito em nenhum outro lugar do mundo, me refiro a arte popular genuína, a arte de  Zé Bezerra, Veio, Manuel Eudocio, Mestre Nuca, Zé do Chalé, Cornelio, Mestre Vitalino, Sr.Fernando e tantos outros.

Valorizar este tipo de arte, a nossa cultura, o nosso artesanato, fazer com que essas histórias verdadeiras reverberem cada vez mais, trazer estes elementos de forma moderna e pontual nas produções e nos projetos que faço, talvez seja a minha maior missão neste momento, a minha maior vontade, através da beleza e da poética impressas nessas trabalhos, emocionar e apresentar ao maior número de pessoas o nosso verdadeiro Brasil, ou a nossa verdadeira arte.

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